Estava lendo um blog a respeito
de como as vezes você vai num café e encontra uma pessoa e tem vontade de ir
até lá e falar com ela, quem sabe tomar um café juntos e conversar, se conhecer
e quem sabe...
Eu costumo ir frequentemente a
cafés, geralmente para tomar um café (duh,), comer algo e escrever um pouco as
besteiras que penso. Me lembrei que houve uma vez que vi uma garota.
Eu estava num momento estranho
na minha vida, tinha acabado de sair de um relacionamento longo e estava frequentando
muito cafés, tinha muita coisa pra escrever, talvez coisa de mais. Eu estava
sentado há uns 20 minutos, na minha segunda xicara de café, quando vi uma
garota chegando, ela me pareceu interessante a primeira vista, mas eu preferi
ignorar, não sabendo direito o porquê ignora-la.
Continuei a escrever, pedi
minha terceira xicara de café e quando olhei e a garota estava sentada na mesa
na minha frente, vi enquanto ela fechava um livro, me esforcei um pouco e vi
que era sobre desenho e arquitetura, um livro de imagens, vi enquanto ela abriu
uma pasta e tirou um bloco de desenho, uma lapiseira e uma borracha. Meu café
chegou e eu nem percebi, eu fiquei olhando enquanto ela tomava um gole de chá e
começava a desenhar. Parei e pensei sobre, quantas vezes eu tinha visto uma
coisa assim, uma garota, num café tomando chá e desenhando, a resposta era
simples, nenhuma, aquela era a primeira vez. Inconscientemente eu pensei em
levantar e ir até lá falar com ela, a cena toda me apeteceu de uma maneira
rara, quando tentei levantar algo me segurou. Fiquei ali parado assustado, não
entendia o que estava acontecendo direito, meu corpo parou, e eu senti uma
vontade estranha de ir embora, eu estava com medo, medo ir até lá e falar com
ela, não por que era alguma situação nova, eu já tinha feito isso algumas
vezes, mas ainda assim o medo me paralisou. Fiquei ali olhando para aquela garota
bonita que se ocupava de um dos hobbies mais interessantes que alguém pode ter
(desenhar duh).
Lembrando que eu tinha saído de
um relacionamento (ou tinha expulso de um) e tinha saído bastante machucado, e
era aquele sentimento de estar ferido que me deu medo, aquela coisa de não
saber direito o que fazer, ou de como olhar para coisas como romance, mesmo simples
daquele jeito algo que podia significar absolutamente nada, me dava medo, toda
ideia de que as coisas eventualmente seguiriam em frente e a possibilidade me
apaixonar de novo me segurou, e a questão ai não era aquela garota, mas
qualquer garota.
Mandei uma mensagem para uma
amiga, falando que havia uma garota bonita desenhando na mesa da frente, ela
respondeu dizendo que eu deveria ir falar com a tal garota, eu queria responder
algo, queria ir até lá, mas eu não consegui.
Vi enquanto ela ficava tentando
desenhar alguma coisa e ficava apagando e ria de si mesma, vi enquanto ela
terminava seu chá, enquanto ela guardava o bloco, a lapiseira, a borracha e se
levantava para ir embora.
Eu abaixei a cabeça, tomei um
gole do meu café (amargo, eu tinha esquecido de colocar açúcar) e senti um
pouco de pena de mim mesmo.
Eu deveria ter ido lá, deveria
ter ido falar com ela, mesmo que não significasse nada, eu não deveria ter me
segurado da maneira que me segurei por medo, medo que ganhei de alguém.
Eu terminei meu café, fechei
meu caderno de anotações e fui para casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário