segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O suficiente



Coisas tolas, não sei, momentos, sobre ser trocado, sobre não ser bom o suficiente, sobre ter pessoas na vida e sobre como as coisas se vão, por coisas melhores, pessoas melhores?

Eu realmente não sei, eu sempre achei que sabia muita coisa, entendia muita coisa, mas de repente fui surpreendido, uma, duas, três vezes. Isso me fez perceber que sei menos das pessoas, bem menos, do que eu imaginava.



Bom, texto, Ari Eastman, é uma historia que achei e traduzi. (https://twitter.com/ivegottatheory) via Thought Catalog.

Eu fiquei puta com você por muito tempo. Isso soa estupido e obvio. É tipo “É claro eu estava puta.” Eu gostaria de poder tornar isso mais poético. Queria tornar essa merda em alguma coisa mais bonita, mas não é. Foi uma merda feia e brutal.

Eu honestamente pensava que éramos alguma merda tipo June e Johnny Cash. Você beijou meus ombros e me pediu para ler minha poesia. Eu li algo para você, e você ouviu, olhou para mim com aqueles oceanos. Eu queria nadar em você, não me importa se as ondas eram irregulares e a mare estava chegando. Eu queria estar com você.

A noite nós dirigimos até Hollywood Hills e só paramos o carro. Eu tinha visto aquela vista antes. Não era novidade, só algumas luzes. A cidade. Mas a proximidade de nossos corpos deixou minha cabeça zonza. Você se apoiou na cerca e me contou sobre sua família. Eu queria te beijar e abraçar e olhar para todas aquelas luzes estupidas com você. Eu pensei, “Wow, aposto que ninguém viu nada tão incrível antes.” Mas eu não estava falando sobre a vista da cidade.

Mas nós não éramos June e Johnny. Nós éramos a versão de filme. Você era algum tipo de ator, e eu era a pobre garota com quem você estava trocando falas. Só que, eu não sabia que era isso que nós estávamos fazendo. Eu pensei que estávamos nos apaixonando.

Você projetou o amor por outra pessoa em mim, e quando você percebeu que eu não era a garota que você sonhava com, você foi embora. Você fez algum truque de mágica, fez seu famoso ato de desaparecer de novo. Nossos dedos se desconectaram e você se foi como se fosse nada. Como se eu fosse nada.

E eu acreditei, erradamente, que eu era nada.

Talvez isso seja o porquê de você ter batido a porta do meu apartamento e ido direto para os braços dela. Eu não era o bastante, ou ela é mais. Eu não era sua June. Ela era. Eu era um corpo e mãos. Uma boca. Alguém para segurar seus esqueletos no meu armário, para alimentar seu ego quando você precisava de amor. Mas ela era mais. E eu caí no chão quando ouvi seus passos martelando minha escadaria.

Eu fiquei no chão, olhando para o teto e prestando até não em cada risco, em cada imperfeição. Eu sou tão estupida, Eu continuei dizendo para mim mesma. Eu não conseguia levantar daquele chão estupido. Tudo era estupido. Eu te odiava. Eu me odiava. Eu odiava ela. Eu odiava aquilo uma semana antes, você veio até a minha cidade natal e me fodeu na casa da minha infância. Você me fodeu na cada onde meu pai morreu. Eu odiava tudo.

Eu estava em algum tipo de negação, do tipo que faz suas pernas falharem e te dá um tipo estranho de paralisia. Eu não queria acreditar que você era esse tipo de cara. Ou que talvez, eu era esse tipo de garota. O tipo de que pode ser destruída por alguém indo embora. Eu perdi meu pai. Eu perdi relacionamentos mais importantes. Você não deveria ter significado tanto.

Eu não queria admitir que a dor era tão física. Eu não queria admitir o quanto eu tinha investido em você. Eu não queria suas palavras de maneira tão clara e limpa, “eu não me sinto assim há muito tempo. Talvez nunca.” Pare. “Eu pareço tão insaciável. Eu não consigo ter o suficiente de você, Ari” Pare. Eu nem mesmo conseguia usar minhas pernas para levantar.

Uma semana depois eu fui para casa. Eu estava tão de saco cheio de tudo que aconteceu e estava num daqueles momentos de “eu só preciso abraçar minha mãe”. Eu estava com tanto medo de encontrar você no campus, ou pior, encontrar você com ela. Eu sei que minhas pernas falhariam se isso acontecesse. Eu estaria andando, indo para minha aula de roteiros, e lá eu veria vocês dois.

Felizes. Lindos. Loiros. Juntos

E eu iria querer morrer e meu corpo ia meu corpo ia parar de funcionar. Minhas pernas iam parar. Eu iria cair. De volta a chão na frente de todo mundo e dizer, “Não, eu estou bem! Não se preocupem!” e ela olharia com alguma simpatia falsa. Tipo, “Ohh, tadinha, Me desculpe! Nós não queríamos que isso acontecesse com você. Eu me sinto péssima!”

Eu não conseguiria lidar com isso. Eu precisava ir para casa e abraçar minha mãe.

Eu cheguei em casa quando minha mãe ainda estava no trabalho. Eu abri a porta e joguei meu corpo quase sem vida no sofá. Eu estava acabada. Eu queria Hibernar por bons 5 meses. E ai, quando eu comecei a chorar, um anjo peludo pulou e se juntou a mim. Dylan, a cadela que resgatamos um mês depois que meu pai morreu, deitou nos meus braços. Eu chorei e ela me beijou. Eu afundei minha cabeça no pescoço longo dela e chorei naquela linda, amável criatura.



Ela me amou de uma maneira que você nunca amou. E a triste verdade? Eu não sei se você sabe amar alguma coisa da maneira que um cão ama. Mas eu sei.



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